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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Diferente de mim (By Teo, caindo em catatonia romântica)

Querida sei que você
Escuta funk
Sou um viciado em rock
Meu pai chega de pagode
E meu irmão
De sertanejo.

Querida sei que você
Dorme cedo
Eu tenho medo do sol
E você vive na praia
Mas o dia vai dormir
E eu acordo
Sonhando com você.

Eu quero você porquê
Você é diferente de mim.
Eu quero você porquê
Você é diferente de mim.

Não sou uma panela sem tampa
Não sou o maldito parafuso
E você nem é uma porca
(Aliás, cê tá em forma)
Não preciso que me completem
Quero apenas correr por aí.


Eu quero você porquê
Você é diferente de mim.
Eu quero você porquê
Você é diferente de mim.

Então jogue
Toda essa merda fora
Nem tudo é show de bola
E eu só quero você

E


Eu quero você porquê
Você é diferente de mim.
Eu quero você porquê
Você é diferente de mim.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

My pace

Você me olha nos olhos
E diz que em ama tanto
Eu afundo no seu abraço
Mas sei que não é verdade.
Conto sobre minha vida
Mas você não se importa
Minha dor trespassa você
E você apenas ignora.
Como pode me amar?
Como pode me amar?
Seu coração
Ainda pensa em mim?
Ou seu egoísmo
Te engoliu por inteiro?
Meu corpo te deseja
E meu espírito
Quer seu carinho
Mas onde você está?
Devagar
As dúvidas se afastam.
Sem respostas
Me afasto
E o seu amor
São apenas palavras vazias.

Sorvete

De olhos abertos
Vejo um campo de paz
Coberto de flores.
As portas do inferno fechadas
Me fazem acordar para algo
Um poder maior me ilumina
Começa um novo caminho
O novo caminho da fênix.
Eu sei que eu poderia
Abrir minhas asas de anjo
E voar mais longe,
Mas e só quero ficar aqui
Eu só quero aproveitar
Um pouco mais.
Tanto tempo de guerra e desespero
Fizeram meu coração de tartaruga
Parar de bater
E canções tristes
Povoaram meu espírito
Mesmo assim eu continuei
Tudo parece tão lindo agora
A paz é estranha
E doce
Como sorvete na primeira vez.
Os amores que eu tive
Os espólios de guerra
Os amigos que perdi
Tudo tão distante
Tudo tão longe
Um coração que agora bate
Grita canções de esperança
Eu podia estar indo embora
Mas vou ficar um pouco mais
Correndo por um campo de flores
Ando em meu próprio coração.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cloud

Você deixou o abismo triste
Você pegou uma pá
E jogou terra até fechá-lo.
As portas do seu sofrimento
Já não existem mais.
Seu coração frio,
Desenterrou tristezas
Você agora olha o mundo
Você agora cresceu.
O desespero dos dias
Atacou seu coração
Mas isso já não significa nada
Você se tornou o a força
A coragem de todos os dias.
A morte
Não é mias companheira
E seu espírito
Já não rejeita a sorte
Você se lembrou
Do que significa ser forte.


sábado, 7 de janeiro de 2012

Carinho


–Eu sei, meninas, que vocês queriam ter uma ceia normal, mas hoje é uma daquelas noites em que os homens sem família não devem ficar sozinhos, então nós vamos ter que nos contentar com um almoço...
As meninas não discordam quando Desiree diz. Comparado com outros lugares isso aqui é o paraíso. Todas as meninas vestidas com sua roupa de sair na rua, sem maquiagem forte. Apenas as mais novas não sabem a diferença e pintam o rosto como todo dia. Isso me faz lembrar meu pai cantando Marina Morena. Desirée escolhe os lugares onde cada um se senta na mesa. Eu sempre fico do lado dela, mas desta vez ela coloca a menina nova, eu e outra garota que eu não conheço. Geralmente sou eu, Carlos e alguma das meninas antigas. Ela sabe que eu não sou muito sociável, mesmo assim não reclamo. Fim de ano é sempre uma época estranha. Não gosto de cear com dona Maninha, a festa do escritório é uma merda e meus irmãos me convidam para cear na esperança de que eu não apareça. Têm medo de que eu faça com as crianças o que o avô fez comigo. Então, minha família é ali, no meio das meninas.
Olho para a menina nova, a beleza dela ainda me deixa estranho. Onde eu já vi aqueles olhos fundos, aquele jeito fechado. Ela olha para o copo, evita olhar para os lados. Vergonha de mim? Talvez Desiree os tenha colocado juntos porque sabe que eu trato as meninas por igual, as outras podem ter ciúme dela. Ela tem alguém, as meninas tem que fazer novas conquistas todos os dias. Mas quando olho para a menina nova, a única coisa que posso pensar é que, quando o cara se cansar ela não via dar conta dessa vida, mesmo sendo tão bonita.
–Está com medo de mim?
Eu pergunto baixinho, quase sussurrando, esperando quebrar o gelo. Ela se assusta, levanta os olhos, me olha rápido, baixa os olhos novamente, a franja dos cabelos negros escondendo o rosto, e então diz:
–N... não. É que... eu só...
–Me desculpe por você ter me visto naquele estado, e ter visto aquela coisa. Se estiver com medo, eu entendo.
Ela parece fazer um esforço gigantesco para levantar o rosto e me olhar nos olhos, mas quando ela faz, seus olhos tentam mostrar confiança. Com uma certa infantilidade.
–Eu não tenho medo de coisas assim. Na minha cidade, todo mundo já viu coisas assim.
E então ela faz um esforço maior ainda para sorrir. É verdade, que muitas pessoas já lidaram com a má realidade. Desirree não se assusta mais com o que aparece, outras pessoas tem instintos interessantes. Me lembro de uma pegadinha do Silvio Santos em que um fantasma saía de um cemitério e corria atrás das pessoas. Na terceira vez um senhor partiu pra cima dele e o cara viu merda. Ainda preciso investigar o motivo daquela garota ter ido junto, e a falta de medo dela era assustador, mas, é véspera de Natal, e eu já vi muita merda estranha. Então o que eu posso fazer é concordar e esperar. O almoço vai ser longo. Muito longo.
Brindes, comida, todos rezam, todos desejam coisas melhores, eu nunca sei o que desejar. A presença de Sofia me faz falta. Se ela estivesse ali eu estaria fugindo como um louco, mas como ela não está, sinto como se ninguém olhasse pra mim. A menina nova, sempre de cabeça baixa. Quando olho pro outro lado, sinto seus olhos me vigiando. Ela é estranha, bonita e estranha. Me sinto culpado. Ela também está sozinha na noite de natal. De repente, me lembro de uma coisa:
–Você ainda não me disse sue nome...
–Melissa.
–Eu vou colocar música. André diz, no seu primeiro natal sóbrio.
Quando a música começa, reconheço aqueles sertanejos bregas de zona de beira de estrada. A maioria das meninas vem do interior. Carlos se afasta, senta-se num banquinho e olha. Ele também não pode passar o natal com a família, e acho que já sabem o porquê. As meninas dançam umas com as outras, e pela primeira vez vejo animação nos olhos da menina. Por baixo das franjas ela espia com um sorriso.
–Sabe dançar?
Ela se assusta.
–Não...
–Eu também não.
Pego ela pela mão e a levo pro meio do salão. Ela é bonita, mas não tenho o mínimo tesão. Na noite de natal, com três doses de whisky na cabeça, eu só quero afastar os pensamentos ruins, eu só quero que ninguém mais se sinta como eu. Talvez por isso eu me sinta confortável nesse lugar. Todos aqui se sentem sozinhos de alguma forma. E, por mais que eu tenha contrariado meu avô e evitado esse lugar por anos, aqui acabou sendo o lugar pra onde eu tinha que voltar. Aqui eu tomei meu primeiro pileque, perdi minha virgindade (na mesma noite e que eu perdi tudo mais), comecei a fumar. Ali era o lugar onde eu tinha importância, ali onde toda a merda do mundo ia se sentar.
Me esforçando para não pisar no pé da moça eu danço e danço e danço. O corpo dela parece um boneco em minhas mãos. Penso estar sendo bruto, sou assim às vezes, mas quando olho para ela, que não sorri, seus olhos brilham. Me sinto feliz por um instante, sinto a energia dela, fecho meus olhos e danço. Naquela véspera de natal estamos todos felizes. E mesmo quando a mesa é limpa, quando as meninas sobem para se arrumar, Melissa continua ali, perto de mim, dançando, conversando, apesar de só eu falar, dançando de novo. Quando a zona abre ela me pede:
–Podemos dançar um pouco mais? Não quero evitar ninguém hoje...
E os homens que vem pagam caro, muito caro, por uma noite inteira. Também não têm família. Eles entram, escolhem as moças e sobem logo. Elas vão. Aqueles homens, aquelas meninas, todos querem dar e receber carinho naquela noite, todos querem estar com alguém. Mas eu, eu nunca subo com ninguém na noite de Natal. Não sei dar carinho, não sei receber carinho. Como diria o Batman:
–Moça, você é uma princesa amazona e eu sou um garoto com muitos, muitos problemas.
Vocês podem dizer que eu só penso assim porque estou quase no fim da garrafa, mas eu sou sempre assim. Minha avó sofreu com o meu avô caçando esse monte de merda, desistiu dele e pediu divórcio numa época em que isso era coisa de vagabunda. Meu pai nem soube direito quem meu avô era, e quando eu comecei a andar com ele, todos tiveram medo. Não posso me dar ao luxo de ter família, não com a minha vida. Por isso eu não subo com as meninas que ficam, por isso eu não deixo ninguém chegar perto, eu vivo em uma guerra, e pessoas morrem em uma guerra. Não preciso do peso de alguém nas minhas costas quando eu precisar morrer.
Continuo dançando, quase ficando tonto. Meus comentários ficam mais bobos. Colados um no outro nem sabemos que merda André está tocando. Andressa guarda a garrafa sem que eu perceba. Desiree me abraça e tira as minhas chaves, já fizeram isso antes. Apenas Melissa não repara em nada, e eu finjo não reparar que estou gostando de estar ali com ela, na noite de natal. Ela não diz nada, mas eu sei que também se diverte.
Às dez da noite meu corpo está todo dolorido.
–Eu vou embora. Digo tonto, quase caindo. Melissa me segurado, aquele corpo frágil fazendo força.
–Não vai, não. Carlos diz.
–Você é um lobo mal. Me deixe passar!
Ele podia enfiar a mão na minha cara, mas não faz. Está acostumado comigo, e só ali eu sou assim.
–Vou chamar a Desiree. Ele diz.
–Você é um filho da puta apelão. Eu digo, e logo depois me viro para Melissa: Desculpe, moça, Deus não gosta de palavrões.
O que eu vejo nos olhos dela? Susto? Nada, só estou bêbado.
–Pra onde eu vou então, se cachorro filho de uma égua?
–Para o quarto que você sempre vai, não seja idiota.
O quarto onde eu fico quando me machuco. Quando bebo demais. Devo ser um único cliente da zona com quarto privativo.
–Melissa, Carlos diz, cê leva ele?

Ela faz cara de dúvida.
–Fica de boa, ele continua, esse aí não faz nada de errado, nunca.
Ela me arrasta. Eu me encosto sentindo o calor do seu corpo. No quartinho, com um rádio velho, alguns livros, um cinzeiro e um banquinho ela me deita na cama.
–Moça, eu digo, você é bonita pra caramba, e é legal também.
Ela sorri de leve, se senta no banquinho e me vê dormir. Caio no sono sem sentir.
Acordo algumas horas depois. No rádio escuto a Missa do Galo. Sob meus braços Melissa está deitada, de costas, o corpo quente encostando no meu. Merda, o que eu fiz? Tento tirar o braço devagar. Ela me segura.
–Olha, eu começo, desculpa se eu...
–Você não fez nada... eu só fiquei... com frio e...
–Então eu pego um cobertor e você...
Ela segura meus braços ao redor dela, não vejo seus olhos e isso me deixa preocupado.
–Você é gentil. Ela diz.
–O quê?
–Todos dizem que você é gentil, e você é mesmo.
–Escuta menina eu...
–Você está triste hoje, eu sei. Mesmo assim ficou aqui comigo. Eu fui egoísta hoje, queria alguém só pra mim.
Ela aperta meus braços ainda mais.
–Todos te olham com carinho, todos querem cuidar de você, e mesmo assim é você quem cuida das pessoas.
–Escuta, você não em conhece e...
–Eu não sou burra. Eu vejo as coisas, eu vejo como todos gostam de você aqui. Eu queria que gostassem de mim assim, eu queria que cuidassem de mim assim.
Ela está chorando, ouço o nariz escorrendo. Ela não soluça, apenas chora e fala.
–Será que você pode me abraçar, só mais um pouco?
Eu não entendo merda nenhuma, mas aquilo abaixa minha guarda. Devagar, tiro o meu braço de cima dela, ela retesa o corpo, pensa que eu vou sair, mas eu não saio, apenas aliso seus cabelos devagar.
–Apenas feche os olhos, e esqueça de tudo, menina, apenas durma.
Que sentimento é esse? É algo que eu conhecia a muito tempo.
É mesmo...
Se chama carinho.
Pela primeira vez em anos eu volto a dormir depois que acordo.
Apenas feche os olhos e esqueça de tudo,.
Feliz Natal, Diógenes.