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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Não me sento mais na calçada (by Suzannah)


Não me sento mais na calçada. É estranho. Também não consigo mais ficar à toa, olhando pro nada. Não sou hiperativa. Não sou louca, só queria voltar a ter preguiça. Na sala de aula os alunos tem horários mais cheios que os meus, eles também não são hiperativos, também não se sentam na calçada, e acho que não sabem o que é preguiça, ou ao menos acham que é quando eles esquecem a tarefa de casa porque ficaram assistindo Big Brother.
Queria que os dias voltassem a ser longos. Na minha infância eu não sabia um monte de coisas, e isso não me enchia o saco. Hoje eu sei muitas coisas, e não me arrependo. Queria saber um monte de coisas e ficar de bobeira, como se não soubesse nada. Me sento com amigos num bar, alguém me pergunta sobre o meu posicionamento em relação à mídia atual, digo apenas que eu gosto de comédias românticas. Ele me olha com uma cara estranha, me passo por burra, é divertido.
Amanhã vou acordar cedo e ir trabalhar. No fim de semana vou receber pessoas. Penso se não seria melhor me deitar na cama e ver o sol nascer.
“Rise and shine, sunshine”.
Penso se não seria melhor cozinhar alguma coisa simples, que não me fizesse parecer tanto como uma dona de casa de fim de semana , enquanto escuto Mr. Big e penso em coisa nenhuma...
As pessoas hoje sabem o que é tédio, e não sabem do que são capazes se tudo piorar, mas elas não sabem o que é preguiça. Têm sempre muita coisa para fazer.
Eu por um lado quero me lembrar como sentir preguiça. Quero me lembrar de como era não fazer nada e não se sentir culpado. Quero me deitar na cama depois do café da manhã e viver de pijama. Quero fazer isso com o gosto da vida adulta rolando na boca. Não quero ficar velha primeiro.
Mas devagar eu chego lá... Afinal de contas, demorei para postar alguma coisa porquê estava com preguiça...



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