Um dia, um palhaço perdeu sua
esposa e seu filho, no mesmo dia. Um dia, um palhaço não quis fazer o seu show,
mas as crianças o esperavam. Um dia, um palhaço quis desistir da sua própria
vida, e a fez. De um jeito doce e suave ele fugiu para dentro do seu próprio
mundo. O problema é que esse mundo se escondia atrás de um espelho especial, um
espelho que diziam ter pertencido à própria Baba Yaga. E, ao se afundar nesse
mundo, ele inexistiu, como queria, mas deu vazão à um outro universo, onde os
palhaços não riem. Nunca. E foi daí que nasceu Alberto, o General Palhaço.
Ele entrou devagar no picadeiro,
eu e meu avô, sentados bem na frente. Olhou para as pessoas da platéia, e não
sorriu. Ele era enorme. Alto e gordo. Muito alto e muito gordo. Mais alto do
que eu em tornaria e com uma circunferência gigantesca. Seriam precisos umas
três pessoas para abraçá-lo. Todos pensamos que ele fria uma piada, mas ele não
fez. Todos pensamos que viriam outros palhaços, mas não vieram. Não chegaram
nem perto. E, quando todos ficaram inquietos com aquela presença estranha ali
parada, sem dar prosseguimento à nada, ele começou a subir até o trapézio. Não pela escada, não por um guindaste, mas
pelo cabo de aço que sustentava a viga pelo chão. Subia com os braços fechados,
com uma vara segura na boca e sem nenhuma expressão de dificuldade, como se
possuísse todo o espaço do mundo para caminhar. Nessa hora já estávamos todos
desacreditando no que víamos, assustados. O cabo de aço não envergava, como se
ele flutuasse. Alguém aventou a possibilidade de que ele estivesse tão tenso
que arrebentasse e derrubasse todo o circo. Algumas pessoas temiam que todos
morrêssemos soterrados, o burburinho aumentava e eu não tinha coragem de olhar
para o meu avô. Não podia perder um segundo daquele palhaço estranho subindo a
corda. Talvez fosse mais leve do que aparentava. Talvez todo aquele peso fosse
apenas um enchimento e ele simplesmente não pesasse aquilo tudo. Um grande
embuste para o público. Mas ele chegou ao final, sem que nada se arrebentasse.
Sem que nada se quebrasse. Mesmo o apresentador não ousava dizer nada, não
emitia som algum. Nem para dizer, como eles sempre fazem, que não havia rede
alguma. A cena toda em si, a presença daquele palhaço obeso e multicolorido,
fazia com que tudo mais fosse extremamente natural.
“Que merda, eu pensava, quem é
esse cara? E por que diabos eu estou aqui, na porra de um circo, quando devia
estar lendo alguma coisa?”
Eu já estava com doze anos e
entendia tanto de magia e economia que fazia as contas da família e organizava
a biblioteca da Pumpkin. Um computador, dos primeiros fora levado e eu aprendi
rapidamente a como catalogar as coisas. Já havia conhecido muito mais gente
parecida com o meu avô e, aos tropeços, aprendia outras línguas. Minha
concessão se fazia apenas a uma pequena pausa pela manhã, para beber Quik de
morango enquanto assistia aos desenhos animados. De vez em quando ainda faço
isso, mas quase sempre é um vinho vagabundo o que tem acompanhado meus desenhos
animados.
Mas aquilo era bem mais real do
que qualquer um dos desenhos, e toda aquela merda se mostraria bem mais
interessante do que me pareceu quando eu entrei ali. O cheiro de bosta de
elefante misturado com o cheiro de capim e poeira de picadeiro, confundiam meu
nariz e eu apenas me perguntava quando poderia ir embora. A pipoca fria era a
cereja em cima de um bolo ruim de aniversário e aquele gordão em cima de uma
corda me parecia uma piada de mal gosto.
Mas então ele faz a coisa mais
estúpida e surpreendente que eu já vi na vida. Ainda com a vara presa nos
dentes ele simplesmente se segurou no trapézio e pulou. No meio do picadeiro
ele deu dois saltos mortais no ar, bem altos, bem altos mesmo. E só aí a
platéia percebeu que não havia ninguém para segurá-lo do outro lado. Bocas
abertas, medo, pânico, gritos, meus olhos vidrados e minhas pernas querendo se
mover. Meu avô simplesmente colocou uma pipoca fria na boca, e o barulho das
malditas mastigadas acompanharam a queda do palhaço. Ele ia morrer.
Mas é nessa hora, quando os mais
covardes fecham os olhos, que o maldito tira a vara da boca (e sim, eu sei o
quanto isso é irônico), e a segura entre as mãos. Ninguém viu quando os
assistentes de palco jogaram as duas escadas, uma de encontro a outra, num
timing perfeito. Ele se prendeu entre as duas. Com o bastão. O público
suspirou, mas por pouco tempo. Logo as escadas começaram a cair, mas ele não
mudou de expressão. Apenas girou e girou e girou, até se soltar das escadas.
Deu um salto mortal no ar e caiu no chão, em pé e suave, como se não pesasse uma
tonelada. Todos aplaudiram de pé, e pela primeira vez eu vi Alberto, o único
palhaço que não sorria.
Descobri que aquele circo
guardava algo que pessoas como eu e o meu avô odiávamos mas éramos obrigados a
aceitar: era um circo de aberrações. Monga, a mulher gorila era mesmo um tipo
de mutação estranha, não um jogo de espelhos. Durante a lua cheia um lobisomem
realmente se transformava e ficava preso a uma jaula, sem ressentimentos com os
donos do circo depois, o domador tinha mesmo a lira de Orfeu, cuja uma das
cordas seria posteriormente dada a Alvo. E, por último, Alberto, o único
palhaço que jamais sorria.
Quando meu avô me levou aos
bastidores, eu estava perplexo. O que aquele homem havia feito, com o tamanho
dele, me parecia impossível. Esperava encontrá-lo sem uma roupa tão larga, ou
rodeado de enchimentos, mas ao adentrar o camarim o que eu encontrei em verdade
foi algo diferente: um homem realmente muito gordo, o que deixava de ser
engraçado quando ele não usava a roupa de palhaço. Não havia enchimentos, ele
era realmente a maior pessoa que eu já havia visto na vida. Ele não sorria, ele
não se alterava, ele não fazia palhaçadas, ele apenas dava aqueles saltos
fluidos, que o isentavam de se mostrar carismático diante das pessoas. Sua voz
era triste e profunda, mas ele não demonstrava sentimentos, nenhum.
–Como vai, Alberto?
A voz do meu avô era igualmente
séria, como se ele respeitasse completamente a santidade da seriedade daquele
palhaço.
–Você me faz sempre a mesma
pergunta, Augusto, mas você sabe que, invariavelmente a noção de estar bem ou
ma é algo que não se aplica a um homem que não nasceu nessa sociedade.
–Basta responder que sim ou não, Alberto.
Quando as pessoas perguntam isso, não querem realmente saber. É uma pergunta
que os amigos fazem.
–Pessoas são animais falsos.
–Eu sei. Mas você deve entender
que...
–Como você fez aquilo?
Minha voz, interrompendo o
diálogo dos dois mostrava toda a impaciência que eu sentia. Como um homem como
aquele podia pousar tão facilmente? Como? Alguma coisa naquela merda estava
errada e eu...
–Como eu fiz o quê?
–Pousar, pousar tão suavemente,
mudar de direção no ar, subir aquela corda sem a envergar. Pelo amor de Deus, o
que é você?
Meu avô deu um leve sorriso.
Sentou-se na cadeira em frente ao criado mudo cheio de maquiagens de palhaço e
esperou a resposta, pacientemente. Alberto ficou me olhando. Por um longo
tempo.
–Seu neto?
–Uhum. O velho fez que sim.
–Um jovem um tanto quanto inconveniente
para alguém que você quer transformar em um caçador. Você não acha?
–Não. Ele é apenas uma criança,
Alberto. Responda logo a pergunta dele e deixe de ser rabugento.
Ele olhou para mim. Me perguntei
se realmente estava sendo inconveniente. Fiquei com medo de que a resposta
fosse ríspida, mas ele simplesmente não mudava o tom de voz. Nunca.
–Eu não sou humano. E não
pertenço a esse mundo. Sou como um intruso. Eu sou um ser da má realidade, por
isso não sigo regras comuns aos homens, como a gravidade. Ou alguns
sentimentos.
–Então...
Recuei na minha pergunta. O que
eu ia dizer poderia ser mais inconveniente do que o necessário, mas ele disse:
–Pergunte.
–Então, por quê você é um palhaço?
Quero dizer, se não sabe sorrir?
–Eu não sou um palhaço, sou um
general. E eu vim até aqui apenas para matar alguém, mas decidi ficar.
–Matar... alguém?
–Sim, matar o homem responsável
pela morte do filho do ser humano que anteriormente era conhecido como Alberto.
Ele sim era um palhaço. Eu sou apenas um soldado. Eu venho de um mundo onde os
palhaços são soldados.
Olhei para o meu avô. Segundo
havia lido, qualquer um que fosse uma ameaça um ser humano deveria ser parado.
Se fosse um ser apenas feito de má realidade, ele poderia ser morto. Então, por
quê o velho o tratava como amigo?
–Nesta terra, ele prosseguiu,
como se previsse meus pensamentos , onde a vingança é um crime, fiquei preso
por trinta anos. Saí a pouco mais de vinte anos.
Ele aparentava ter apenas uns
quarenta, no máximo. Depois compreendi que o envelhecimento e a morte eram
apenas conceitos humanos. Não sei se Alberto é eterno, mas sei que ele não
morrerá de velhice.
–Augusto, por quê veio me ver?
–Preciso de ajuda. Quero que o
ensine o que me ensinou.
–Ele não tem o rosto de um
soldado. Tem a cara e o jeito de um covarde.
Eu me encolhi. Naquela época não
era tão irônico. E, no fim das contas, eu sempre fui um covarde mesmo...
–Faça isso por mim, Alberto. Não
serei capaz de fazer o que é preciso. Não da maneira como você faz.
–Entendo. Como você sabe, eu
trabalho até o fim desse outono. Quando a última folha cair, eu ensinarei a seu
neto. Ou o matarei...
Inverno
O cheio do meu próprio sangue, a
dor no meu estômago e davam vontade de vomitar. Eu já estava ali, sozinho com o
Alberto no meio do mato há uma semana. Ele me deu um pedaço de bambu um pouco
maior do que eu e disse: “corra, ou eu mato você”. Eu já havia desmaiado uma
série de vezes. Já havia tentado enfrentá-lo de frente. Meu nariz estava
quebrado e acho que uma das minhas costelas também estava. Eu não o via se
aproximar, apenas recebia a pancada quando estava desprevenido. Daquele jeito
eu iria morrer, mesmo.
Ele me atacava com uma vara de
bambu igual àquela que havia me dado, mas se movia tão bem com ela que me
deixava assustado. Depois do segundo dia apanhando finalmente percebi que
deveria observá-lo com cuidado antes de atacar, mas ele sempre me achava antes
que eu pudesse vê-lo. Minha resistência às pancadas tinha ficado maior, mas o
cansaço me fazia mover mais e mais lentamente. Já conseguia me desviar de
alguns golpes, mas ele não havia me ensinado nada, eu não sabia como lutar.
Toda a abertura que havia era um nano segundo antes dele enfiar aquela coisa
pelo meio das minhas costelas e me fazer desmaiar. Uma semana apanhando sem
saber o motivo. Eu já havia cansado de chorar, já havia tentado fugir, já havia
gritado desesperado. Comido coisas horríveis e sentido dores em lugares que eu
nem sabia que existiam.
Alberto não dormia, por isso eu
também não, apenas descansava quando desmaiava e acordava com uma dor e um
hematoma novos. Eu realmente queria sair daquele lugar, mas só sairia se
morresse, ou se desse àquele idiota uma lição. E foi no meio desses pensamentos
que eu vi uma brecha: os ataques eram previsíveis de alguma forma. Os ataques
podiam ser previstos, como ele pousaria, de onde ele viria, contanto que eu cobrisse
os pontos cegos, como um rato acuado, eu poderia me defender, ou ao menos
assegurar uma pequena chance de mudar aquele jogo.
Eu não era, não sou um soldado,
mas compreendia matemática, e muito bem. A estatística depende de um ponto
imutável, algo que sirva de base para um cálculo qualquer, algo fixo que me dê
as respostas. Eu precisava encontrar algo que me servisse de defesa, que
cobrisse todos os meus campos de visão. Alberto não atacava sempre de frente,
algumas vezes ele procurava os meus pontos cegos, e era preciso encontrar uma
maneira de cobri-los.
Era provável que ele estivesse me
observando, tentando me pagar desprevenido. Ele não me atacava se eu estivesse
alerta. Ele esperava sempre a brecha. E era preciso que eu previsse o ataque,
calculasse as possibilidades e avançasse. Havia então aquela árvore velha e
enorme, cercada de folhas. Nem ele poderia rodeá-la sem fazer barulho. Encostei
minhas costas nela e observei. Não havia como me atacar por trás, apenas pela
frente ou pelos lados. Ele já havia demonstrado que não faria ataques diretos.
Era preciso saber de onde ele viria. Esquerda? Direita? Frente? Fechei meus
olhos por um instante. De onde ele viria? De onde? De onde? De onde? De cima!
Meus olhos se abriram um segundo
antes de cravar o bambu por cima da minha cabeça. Ele descia rápido, de cabeça
para baixo. Eu me desviei e o bambu se cravou no solo. Um segundo, apenas um
segundo, e eu não poderia pensar demais. Num instante eu girava e batia com
todas as forças nas costas dele. Seu corpo, ainda segurando o bambu fincado na
terra começou a tombar na direção da árvore. Acabou? Eu pensava desesperado. Um
sorriso brotou nos meus lábios, mas por pouco tempo. Em um segundo apenas, ele
deu um chute no tronco da árvore. Ainda no ar girou em minha direção,
arrancando o bastão do solo e cravando ele em meu ombro direito. Logo depois
veio um soco no estômago que me fez cair desacordado.
Acordei no meio de uma clareira,
com o ombro dolorido. Não parecia estar quebrado. Ao meu lado, não havia mais o
bambu, mas o guarda-chuva. À minha frente, Alberto parecia esperar pacientemente
que eu me levantasse. Instintivamente eu já estava com o guarda-chuva na mão
antes de erguer meu corpo inteiro. Ele também não estava mais com o bambu, mas
com uma lança enferrujada nas mãos. Algo perigoso.
–Me desculpe, mas vou matar você.
Eu arregalei os olhos.
–O quê? Seu filho de uma puta
desgraçado, o que você acha que...
–Seu avô deu a ordem. Se você não
fosse bom o suficiente, deveria morrer. Pessoas como você, que não servem para
nada, acabam trazendo desgraças para a má realidade. E você é apenas uma
criança com os pés dos dois lados, sem pertencer a lugar algum. Além de não
passar de um covarde. Prefiro matá-lo agora a permitir que cause estragos mais
tarde. Essa é a Lança de Longinus, a lança que o seu avô usa para caçar. Ele
mesmo quis assim.
Apertei o botão do guarda-chuva. A
primeira vez em dois anos. Ele se abriu como um guarda-chuva normal. Fracasso.
Eu fechei os olhos, respirei fundo.
Lágrimas quentes e grossas começaram a cair dos meus olhos. Eu podia senti-las
tocando meus pés. Raras vezes eu fiquei tão descontrolado. Sem me conter, eu
disse:
–Na minha casa, há apenas três
quartos. Eu durmo junto com o meu irmão, e ele me odeia por isso. Eu não fui
planejado, eu sou um excedente. Não deveria ter nascido.
Ele me olhava nos olhos e eu
odiava cada vez mais aquele olhar profundo sem significado.
–Minha irmã não pôde ir a um
colégio particular, porquê as despesas comigo deixam as coisas pesadas. Ela me
odeia por isso. E meus pais também tiveram grandes dificuldades para me ter, eu
fui um acidente, uma falha no remédio. Eu surgi e nasci na hora errada. Na
escola, eu não consigo fazer amigos, porque gosto de estudar e mesmo os adultos
têm pena de mim por me verem sozinhos. E agora, ainda por cima eu carrego o
peso dessa merda de má realidade, que está me obrigando a aprender coisas que
em assustam. Fazem dois anos que eu não consigo dormir à noite, com medo de
alguma merda entrar pela minha janela e me engolir. E eu nem posso dormir com a
luz acesa porquê senão a porra do meu irmão acorda.
Ele empunhou a lança em posição
de ataque. Eu continuei falando:
–E agora você chega e diz que eu
tenho que morrer? E com ordem da única pessoa que eu acreditava que gostava de
mim? Desculpe, mas eu não vou. Eu preciso fazer amigos e mostrar para as
pessoas que eu sou uma criança normal também. E, se elas não gostarem de mim
por eu ser uma pessoa normal, então eu vou me tornar um caçador e fazer as
pessoas me amarem porquê EU SALVEI A VIDA DELAS!
O guarda-chuva começou a brilhar
lentamente na minha mão. Alberto deu um passo para frente. A lança enferrujada
parecia mais ameaçadora, e ele me mataria com um toque apenas. Mesmo assim eu
não parei de falar:
–Eu quero me tornar forte para as
pessoas me aceitarem. Eu quero me tornar o homem mais forte desse mundo. Assim,
se continuarem não gostando de mim, pelo menos eu vou ser forte e digno o
suficiente para poder ir embora e abandonar toda essa merda. Então, se quiser
tentar me matar, me mate, se quiser cravar essa merda em mim, vá em frente, mas
eu te aviso, eu vou morrer enfiando essa porra de guarda-chuva no meio do teu
rabo!
Quando comecei a correr na
direção dele, o guarda-chuva já era novamente a minha espada. E eu fui com
todas as minhas forças. Ele não me matou, apenas se desviava enquanto eu corria
de um lado par ao outro tentando parti-lo em dois. E quando eu estava cansado,
quando as lágrimas já haviam coberto os meus olhos e já não conseguia mais
respirar, eu me sentei no chão e continuei chorando. E chorando, e chorando, e
chorando. Era a primeira vez que eu era sincero comigo mesmo. Não, eu não era
uma criança feliz, e sim, eu me sentia o ser mais indesejado do mundo, como se
eu não pertencesse a lugar nenhum, apenas estivesse ali ocupando um espaço excedente.
–Você não vai parar de chorar?
Alberto perguntou. Preciso te ensinar mais, agora que não esconde mais seus
sentimentos de si mesmo.
Eu enxuguei as lágrimas rápido,
com as costas das mãos, envergonhado. Empunhando o guarda-chuva que ainda
brilhava, eu ataquei mais uma vez, enquanto a noite de inverno caía. No fundo da
minha mente, o som dos gênios tocando Vivaldi me deixava feliz. Inverno me
parecia a única música que mostrava intensidade em relação a algo tão íntimo
como o frio.
Os gêmeos, ainda são a primavera,
Pumpkim ainda é o verão, Alberto ainda é como o outono para mim, e o que me
restou foi o inverno, onde eu soterro todas as lembranças no frio. Acompanhadas
de um bom copo de whisky e um cigarro vagabundo.
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