Ergue tua asa
Na batalha sombria
Anjo desolado
Que se perde
Na noite sóbria.
Canta sem voz
A cacofonia do destino
E confronta o vazio
Que te habita.
Grita, ri, chora
Orgulha tua raça
Com a força absurda
De um orgulho tolo
Pois meigo já não seria
Ante as cicatrizes
Que se apuram
No corpo duro
De mármore
De corte abrupto.
Fecha teus olhos e parte
Como a caminhada
Que tudo exige
Mesmo o não olhar
O não olhar atrás
Que te desfaz
Em coluna de sal.
Te ergue anjo
Foste desconsolado
E agora encontrado
Segue na negação
Infame e insone
Do medo e da dúvida.
A vida te convoca
E rodeado de roedores
Limpa o joio
Come o trigo
E lava o sangue
Da sombria terra
Onde era perdido.
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