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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Valsa do deserto solitário

Houve um homem um dia
Lançado à terra fria
Não se sabe de onde.
O homem era bom e era mau.
Carregava no coração
Caminhos de vida e morte.
O homem observava
O homem agia
O homem engolia
A sabedoria dos tempos.
Um dia o homem viu uma estrela
E a desejou ardentemente
Ele invocou mil meteoros
Mas a estrela não caiu.
Ele então subiu a lua
E tentou tocá-la com os lábios
Mas ela fugiu violenta
Deixando para trás sua cauda.
O homem não se deu por satisfeito
Nadou por entre o espaço
Projetou-se em mil fogos chineses
E a envolveu num abraço.
"Se deixar de ser o que sou,
Me amará por aquilo que sou?"
 A estrela então fez que sim.
E o homem voltou ao deserto
Que se chamava solidão
Morreu entre brumas de areia
Para renascer como algo estranho
A estrela desceu depois
E se encontraram numa festa real.
Ele já não era mais
O que ela já não era então
E juntos ficaram,
Não sendo mais o que eram
Não sendo mais o que foram
Sem saber o que serão.

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