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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Jantar

A notícia chegou
Deslizante como
A poeira do barranco
Na chuva que cai.
A percepção chamou
Como aviso pueril
Do desavisado senil.
O seu coração cegou
O seu corpo estancou
E o sangue prosseguiu
Empoçando onde sangrou.
Fecha os teus olhos
Até que seja tarde da noite
E as lágrimas venham brotar.
Mantém tua desilusão
A cada colherada
Que escorre no molho do jantar.
E quando a dor vier
De repente num torrente
Pra te machucar
Abraça teu cor e te põe a chorar.
Vai, vai, vai, vai, vaivaivai...
Pra onde o seu se esvai.
Voa por entre almas perdidas
Encontre as mensagens
Que não quer enxergar.
Se você não desistiu
Por que parou de tentar?
Se você não voar
De mãos dadas
Quem estará no fim
Da estrada não importa mais...


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Valsinha

Hoje eu cantei
No alvorecer.
O céu nublado veio envolver
De frio minhas asas plenas.
Hoje pensei
Em esquecer
Mas nesses tempos difíceis
Tenho que resolver.
Hoje eu chorei
Ao entardecer
Tudo parece tão mentira
Que pareço mesmo me perder.
Hoje eu pesei
Antes de sair
Tanta coisa está pendente
Preciso muito dormir.
E se o tempo não mudar?
E se o dia não passar?
O que devo escrever,
Se nada há pra esperar?
Que fazer pra não perder?
Que fazer pra encontrar,
O sonho perdido que não estava lá?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Susannah no frio

Tudo o que eu disser,
Vai parecer piada,
Nessa estrada de sarcasmo
E mau humor.
Ontem eu li
Meu livro preferido
Dos dias tristes de chuva.
Mesmo assim não choveu.
Ontem me lembrei que às vezes
O meu coração desaba.
Meu nome é Susannah e eu,
Desejei ser amada,
Abraçada, despida, coberta,
Em mantas de lã.
Meu nome é Susannah e eu,
Disse estar ferida,
Banida, ressentida, rasgada, ferida,
Pra baixa da cama.
E sendo Susannah fechei meus olhos
Mas não chorei.
Por hoje não vale a pena.
Eu sou Susannah nascida,
Criada, amada e perdida
Nos desejos impolutos
Escrotos, perdidos, pré-concebidos
De sexo e amor.
Eu sou Susannah e hoje desabei
Um pouco mais em mim.