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domingo, 20 de novembro de 2011

Estrela Cadente (by Fênix)

Nasci
No sorriso
Crescente
Cadente
Sob os passos
De criança
Me dizendo
Que as estrelas
São meus olhos
De enino
Vendo
Longe, no escuro
A luz
Abençoada.
Neste mundi triste
Vejo,
Sinto, muito
Por tudo
Sem entender
O que há.

Teimoso
Tento,
Tanto,
O que se tem
Para ver
E descubro
E aprendo
De-va-gar
No caminho,
De um velho,
Cresço,
Homem,
Jovem
Encantado
Sofrido
Alegre,
Por viver.

Sufocado (by Fênix)

Teu peito incandescente
De moça atrevida
Esconde tal tristeza
E desencanto
E o pranto, seco
Que marca esse rosto
Acorda o sentimento
Tenso, teso
De amor e compaixão
Que me havia
Aliviado o peso
Desde a sombra que fui.

Agora homem,
Devasso teus sonhos
Por teus olhos tristes

Naquele dia, dos teus primeiros
Dos meus primeiros
De ter-te visto.
E meus olhos
Evocam os teus
Nas margens tristes
Do rio que cruzamos
Mãos estendidas
Quero tocar-te
Engolir-te.
Em minha redoma
De felicidade
Meus amigos me guardam
E te guardariam
Em meu amor
E as asas
Que me elevam
Te elevariam
E a luz, que me ilumina
Te iluminaria
E por todo o dia
E toda a noite
Mesmo a dor
Seria sorridente
Contente, por servir...

Hoje homem,
Me aproximo
Imponente, lúcido
Anjo lúdico
Homem a a prender
E devagar, te exploro
Te seduzo, te assusto
Mas não sou mais
O mau agouro
Sou sussurro
Sou a briza
Sopro divino,
Prova de amor.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O triste assobio... (by Fênix)


Se tiver de ir
Novamente ao inferno
Se tiver meu coração
De queimar sob aquele fogo
De tocar tal escuridão.
Se a morte vier beijar-me as faces
Se o vento gelado ainda cortar-me,
Nada temerei.
É minha, tua espada,
Meu escudo é tua luz.
Tremei, demônios do mundo!
Já não sou monstro,
Já não sou morte
Ou lama de desespero.
Armo-me, defendo-me,
Encontro em meus companheiros
A força que me faltava...
Se descer novamente ao inferno
Se tocar novamente almas perdidas,
Entrarei como a fera,
Entrarei com o leão.
Se encarar meu nêmeses,
Minhas fúrias,
Meus pecados,
Não o farei mais,
Com a espada negra
Que dilacerou meus sonhos.
A farei com a luz desse pobre coração.
Que de tão estilhaçado,
Já não se vê tão perto
De um fim.

domingo, 13 de novembro de 2011

Diógenes: Antes daquele dia (by Fênix)


Já faz muito tempo...
–Pra onde você vai esse ano, cara? Vai ficar com seu avô de novo?
–Não. Esse ano ele quer ficar um pouco sozinho, disse que tem que colocar umas coisas em ordem.
–Vai ficar sozinho, então?
Fiz que sim com a cabeça. Estava distraído, tento o amigo não me diziam merda nenhuma.
–Vem passar as férias com a gente, cara. Vai ser demais! Nós vamos à praia e...
Passei a maior parte da vida sem amigos, e naquele instante eu havia encontrado um que se preocupava comigo. Se eu tivesse partido, se eu tivesse aceitado aquele convite, talvez as coisas tivessem melhorado ao invés de piorar. Mas eu sempre fui uma besta...
Coloquei a mão no ombro dele e antes que pudesse perceber, me vi dizendo:
–Cara, eu to de boa. Também preciso pôr umas paradas em ordem.
Meus pais haviam morrido há alguns meses, num maldito acidente de carro. Eu estava bem? Não sei. Eu estava sozinho, tentando fazer a minha merda de vida parecer melhor. Meu avô longe, meus irmãos longe, e a única coisa legal era a faculdade. O melhor lugar do mundo. Mesmo assim eu deixei o amigo ir embora, já não me lembro do seu nome, e se vê-lo na rua, me esforçarei pra não lembrar quem é.

Todos amontoados. A humanidade adora desgraças. A porra da catarse.
Eu estou onde as pessoas se amontoam, eu estou onde toda a merda acontece. Onde existe a má realidade. E mesmo ali, na universidade, eu não deixei de andar com meu guarda-chuvas, eu não deixei de observar. Ali era o meu mundo perfeito, eu não podia deixar que algo o maculasse. Loiras do banheiro, professores fantasma, monstros literários do século XVIII, até a merda da má realidade naquele lugar parecia culta e européia. Mas nada de que eu não pudesse dar conta. Lendo, lutando, palestrando, estudando. Aquele lugar era lindo comparado aos lugares onde meu avô já havia me levado. Tudo era perfeito, tudo. A faculdade me fazia parecer tão normal, tantas pessoas iguais a mim... ou quase. Mas isso não importava naquele momento, com todos ao redor da vaca dilacerada.
–Que merda é essa? Perguntei pro primeiro idiota que vi ao meu lado.
–Alguma coisa comeu a vaca, cara. Muito louco.
As tripas da vaca estavam pra fora. Sangue por todo o lado. Estava numa das partes pouco usadas da faculdade. Daqueles em que ninguém vai a não ser pra dar uma trepada ou queimar um Brown... Cutucando a pobre coitada, com um pauzinho, estava o chefe da segurança, conversando com o diretor da faculdade de veterinária:
–É das suas?
–Não sei, preciso conferir.
Ele se abaixou, não tinha nojo. Olhou atrás das orelhas da bichinha e conferiu um número. Homem corajoso. Eu já estava quase vomitando. Já fazia uma semana que eu não tinha grana pra comer com carne, aquela cena ia me fazer passar sem por mais umas duas.
–É uma das minhas.
–Cara, como você perde uma vaca e só descobre uma noite depois?
O diretor ficou vermelho. Poderia ter dado uma resposta, mas não com tantos alunos olhando. Simplesmente deu de ombros.
–O importante agora é descobrir o que trouxe essa vaca pra cá, e o que a comeu. Parecem mordidas de cachorro.
–Deve ser um puta cachorro, então. Alguém gritou do meio da multidão. Todos riram.
–Vai ver foi um lobisomem! Alguém gritou mais alto.
–Foi o chupa-cabra!
Eu não precisava ver mais. Noite de lua cheia, mordidas de cachorro... saco. Eu tinha que trabalhar. Virei as costas e fui para as aulas. Teria a noite toda para uma caçada.

Naquela época, eu já dormia apenas algumas horas por noite. Não as quatro exatas, mas algo por volta de seis. Também não freqüentava a zona, não sem o meu avô. Eu não era necessário naquele lugar, a não ser de vez em quando. E, sem os meus pais por perto, eu me afundava nos estudos para não pensar na série de acontecimentos que se desencadearam com a morte deles.
Somos três: meu irmão mais velho, que é advogado, minha irmã do meio, que é médica, e eu que sou a aberração. Os dois já haviam se casado e não moravam mais em casa. Meus pais tiveram que se contentar com o filho que eles não entendiam. Não que eles me podassem de algum jeito, ou que eu fizesse algum tipo de merda adolescente, eu apenas era diferente. Por isso talvez nossa relação sempre fosse estranha. Não falávamos muito. Não sei se minha mãe morreu sabendo que eu gostava do seu jeito simples, ou se meu pai sabia que eu gostava de vê-lo chegar do trabalho reclamando. Não sei se eles sabiam que eu os amava. Eu sabia que eles me amavam, cada vez que olhavam pra mim e tentavam entender no que ia dar aquele filho esquisito.
De qualquer forma, com a morte deles, repentina e assustadora, eu fiquei sozinho. Passada a notícia, o velório, o enterro e as lágrimas, a porra da ganância começou a gritar. No inventário, meus irmãos brigaram pra descobrir quanto valia a casa, até o advogado dizer que ela não pertencia aos meus pais. A casa era minha. Acordo tácito: meus pais queriam pagar os estudos dos meus irmãos, meu avô tinha a grana. Ele comprou a casa, criou a poupança. Um advogado e uma médica saíram do forno. Alguns anos depois, acho que o velho entendeu que os outros netos não eram lá muito bentos, ele sabia também que eu não era do tipo que conseguiria ter uma profissão certa, ficar em algum emprego, sei lá. Ele simplesmente passou a casa pro meu nome. Ninguém sabia, nem mesmo eu. E se meu avô não aparecesse e me impedisse de vender a casa, a essa hora eu estaria na rua. Meus irmãos não achavam justo eu ficar com tudo, se eu vendesse todos teriam um quinhão justo, eles disseram, e eu concordei. Mas aí o velho apareceu e disse:
–Vocês não passam de dois filhos da puta.
Conta toda a história que eu já contei acima e me diz que, se eu vender a casa, vou ter que enfiar minhas coisas no cu e ir morar na rua. Bom argumento, mas que acabou levando meus irmãos a ficarem um pouco inquietos em relação à mim. Para piorar a situação, a pensão do meu pai estava em meu nome. Algum documento estranho dizia que eu a teria enquanto estudasse. Não era muito, mas pagava o condomínio, as contas e, com muito esforço, alguns livros. De economia, não os de magia. No fim das contas, acho que a pensão também foi coisa do meu avô. Me pergunto se ele já não imaginava que eles iam empacotar... De qualquer forma, é preciso que entendam que meus irmãos são dois filhos da puta gananciosos, meu avô me amava muito mas tinha suas coisas para resolver e eu... bem... eu estava tentando sobreviver nessa bagaça... sozinho.

Onze horas da noite. O lugar todo ia fechar, mesmo assim o porteiro me deixou entrar. Livrei ele da loira do banheiro e ele finalmente podia ir mijar em paz. O bom de salvar pessoas dessas coisas, é que elas nunca dizem nada, pois os que disseram acabaram sendo internados. Tá certo que a vida nunca volta ao normal, mas fazer o quê? É melhor ver coisas imaginárias reais do que coisas imaginárias que tão só na sua cabeça... Cês entenderam.
–Cara, ele me diz já tremendo (um puta de um cagão), quê que ta rolando aqui dessa vez?
–Lobisomem. Eu digo. Fica de boa que eu resolvo essa merda num instante.
A loira do banheiro tinha sido fácil. Elas não fazem nada, só andam por aí e somem. Ela se assustou mais do que eu, quando não fugi e a chamei para conversar. Parecia um encontro, e essa versão da loira até era gostosinha, sem manchas de sangue, só o vestido branco e a pele pálida. Um papo aqui, outro ali, ela me disse a data que tinha morrido, mostrei uns jornais, provei que ela nunca existiu e pronto: a mulher sumiu. Meio cruel, eu sei, mas fazer o quê? Se essas coisas vivem por aí, acabam se tornando mais fortes, as lendas aumentam e essas merdas ficam muito, muito, muuuuuuuito fortes. Melhor cortar o mal pela raiz de uma vez. Sem lutar é melhor ainda.
Mas com os lobisomens a coisa é mas tensa: primeiro é preciso saber que tipo de lobisomem é. Se for europeu, tenho que procurar balas de prata, se for brasileiro, tenho que saber de que região veio. Alguns são curados com uma ferida, como a mula sem cabeça, ouros dão nós em toda a roupa, é preciso achar um bosteiro e desamarrá-las. Outros precisam passar por sete cemitérios, o que é difícil numa cidade grande. As origens são várias, mas elas só me interessam se me disserem de onde a besta veio.
Outro problema: eles são humanos e voltam a ser humanos. EU NÃO MATO HUMANOS! Igual ao Batman. Simples assim.
Eu estava de social. Não sei por quê, essas roupas sempre me deixaram confortáveis, e combinavam com o guarda-chuva. Sabia que iria me embrenhar no meio do mato, mas nunca se sabe quando uma donzela em perigo vai aparecer. Tenho sempre que estar pronto... Eu era assim, naquela época. Hoje só restou o conforto. Donzelas em perigo não existem, e Shrek é só um desenho animado.
Na faculdade escura, as luzes intercaladas para economizar, eu fui até o local onde a vaca havia sido morta. Era preciso seguir pegadas, saber onde a besta havia se transformado, saber de que tipo era e esperar dar de cara com o Marmaduque apenas quando a coisa estivesse esclarecida. Na minha mochila da faculdade, um pequeno arsenal, nada muito complicado, nenhuma arma de fogo, mas um punhal de prata. Talvez fosse suficiente.
A segurança do campus seguiu pegadas no chão. Antas. Eles também não tinham imaginação para prever os passos do bicho. Ele provavelmente arrastou a vaca até ali, mas não pelo chão. Primeiro ele deve ter atacado a garganta dela, para ela não gritar. Fez isso tão rápido que as outras vacas não notaram. Depois, quase que imediatamente ele a ergueu do chão, pulou em uma das árvores e carregou o bicho até ali. Jantar a luz do luar... romântico. Lobisomens são rápidos, fortes, e sabem que não devem se deixar rastrear. Pegadas são rastreáveis por pessoas, e eles sabe que as pessoas são burras, não olham para cima. Aquele era o primeiro que eu iria pegar sozinho, mas eu já havia cruzado com outros, e aprendido a como fazer o serviço.
Se a segurança tivesse observado bem, teria visto os pelos presos nos galhos. Lobisomens tem pelos perenes, começam a cair apenas algumas horas depois de crescerem, então, ficam presos nas árvores. Ele escolheu aquele lugar porque sabia que o cheiro de maconha era forte, podia disfarçá-lo. E mesmo que não houvesse, a faculdade demoraria pra usar cães farejadores. Ninguém ligava de verdade praquela vaca.
Usando uma lanterna pude seguir o rastro até a clareira que havia no meio daquela mata. Outro ponto de maconheiros. A partir dali parecia que ele tinha tocado em todas as árvores. Manchas amarelas de mijo não me diziam se eram dele ou do pessoal que ia descontar a cerveja ali. O lixo estudantil infestava todo o chão. Em dias normais, antes do lugar fechar, ali fervilhava. Hoje havia ficado vazio. Ninguém queria dar de cara com a fera.
Sem saber para onde ir, eu esperei. Observei com calma. O luar na clareira fazia tudo parecer mais bonito, e menos mortal. Desliguei a lanterna. Meu primeiro erro, ser romântico demais na porra da natureza selvagem. Olhando ao redor, pensei no que o bicho poderia ter feito, de onde viera, quem era. Pensando, me distraí, mas não o suficiente para não perceber a lufada de vento que precedeu o ataque.
Desviei do vulto negro, puxando meu guarda-chuva. Lobisomem estranho, pensei. Vulto estranho, muito esvoaçante. Não acionei o guarda chuva, esperei. Não adiantaria correr, ele me alcançaria por trás, e isso nunca é bom, em nenhum dos sentidos. O novo aaque veio por um lado inesperado. Me defendi com o guarda chuva fechado, mas algo me tocou no rosto, depois de outra lufada de vento. Senti o sangue escorrer. Unhas?
O terceiro ataque seria com as duas garras. Eu teria que cortar, teria que ferir, ao menos para poder fugir. Rezando para que o sangue tirado dele fosse o suficiente para fazê-lo parar. Merda... pensei. Aquela foi a primeira vez em que eu acreditei precisar de um cigarro.
Senti uma nova lufada de vento. Apertei o botão do guarda-chuva e minha espada de luz se abriu. Imaginei que suas garras fossem  mais resistentes, imaginei que ele iria se defender, mas o que aconteceu foi simplesmente absurdo. O vulto desapareceu sob a luz do guarda chuva e no ar, apenas o farfalhar das folhas.
–Guarde seu sabre, hereje.
Lobisomens não te chamam de hereje. Lobisomens não falam. E por isso eu não via a porra de um lobisomem sair do meio do mato. Vi três homens e uma criança, todos vestindo preto, todos carregando bíblias, todos com uma enorme cruz dourada desenhada no peito. Aquela era a primeira vez que eu via os Exorcistas.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Que seja... (by Susanah)

Ah, que meu coração não erre.
Que não me perca
Novamente, oh, não!
Em amores absurdos, em sonhos tolos.
Que não seja mais amigo,
Que não seja adereço,
Ou amuleto,
Que seja amor,
Puro doce carnal,
Que seja amor,
Que seja amor,
Que eu não esteja só.