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sábado, 29 de dezembro de 2012

Jogo de sombras

O Rei Palhaço
Andava só.
A Bailarina, nem tanto
Ela em si, na multidão
Bela e doce
Ante os olhares
Poderia enfim
Escolher qualquer
Dentre os heróis
Para entregar 
Teu coração dançante.
Mas, ah, o destino entranho
A fez ver
Pelo deserto de lágrimas tristes
A triste figura, cheia de feiura
Do Rei Palhaço
Que caminhava só
Contando piadas 
Sob a luz da lua.
E ela o viu, e ele a viu
E sem saberem
O sorriso um do outro
O som de suas vozes felizes
Se ouviu.
E o Rei Palhaço
Tocou em sua mão
E ela, recusou-se a dizer "não"
Mesmo o coração dançante
Estando ferido e triste
Em meio à toda gente
Que com ela estava.
E onde se via feio
Este palhaço antigo, sengraceiro
Ela viu príncipe faceiro
E sem abusar da sorte
O Rei Palhaço
Tão desordeiro
Deu-lhe um beijo
Tímido, sem floreio
Um beijo assustado
Apaixonado, amedrontado
De quem só via
A rejeição dos tempos.
E sem delongas, lutou por ela
O Rei Palhaço.
Bailarina infante
Donzela esperante
Em tua torre de cristal
Onde bruxas de amores tristes
A mantinham cercada.
Carregando mil esperanças
Mil andanças, batalhas e piadas
Lutou por ela, com asas belas
De um sorriso colorido.
E, sem perceber, se deixaram
Se largaram
Nesse levar apaixonado.
E se amaram
Nas dificuldades
Na sinceridade
De quem tem medo
Do futuro
Mas sonha, mesmo assim.
E se casaram, ao fim
Perto da lua, ante as estrelas
Sobre a grama
Em um céu de brilhos
Ele em trajes
Bregas de amor
Ela guardada
Num guarda-chuva
Para o cabelo
Não se perder nunca.
E segurando
As metades
De seus corações partidos
Perceberam
Que eram um
Naquele céu
De vaga-lumes.



domingo, 23 de dezembro de 2012

Tanto tempo

Te vejo todo o tempo
E não paro mais
De te querer comigo.
Me explique o sentido
De amar tanto a ponto
De jamais querer estar
Sozinho novamente.
Me diga nesse instante
Se o bem-querer constante
Dentro do peito arfante
É um sinal de amor maior.
Te vejo em minutos
Mas mal aguento o tempo.
Espera é tormento
Pra quem te quer pra sempre.
Você me faz feliz assim
Você, perto de mim
É como a pérola
Como a estrela
A lua dançante no céu.
Vem rodopiar em meus braços
Venha me encher de abraços
Venha ler a poesia
Que meu coração te fez.
Vem e fica de vez,
Que sem você
Mal posso sorrir...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Desatino

Nada a dizer
Sobre nada mais
Que eu possa entender
Sobre o jamais
Que parte em correr
Por meu coração
Nada a pensar
Sobre o nada a dizer
Nada a querer
Senão uma voz
Um bom dia, minha vida
No som fraco
De um telefone
Insone, de todo
Já não fico, em paz
Permaneço sentado
Na janela chuvosa
Entre rosas
E brilhos de cristais
Sonho com a noz
Fechada com um beijo
Sonho com o rio
Lavando este medo
Este tolo medo
Que faz acreditar
Que jamais
Serei eterno
Sou terno, interno
Embaraçado, encalacrado
Lacrado, enlevado
Neste coração.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mediante

Essa manhã acordei
Com esperança de teu sorriso
Com a visão de teu caminho
A se encontrar com meu
Acordei com o sonho
De te fazer feliz um pouco
De ver contente meu mundo
Ante todo o descontente
Que nos acomete.
Acordei desejoso
Do teu amor incessante
Inebriante, que me faz alegrar.
Mas que posso eu dizer
Se em meu triste dia
Não te fiz feliz
Ao invéz, como se diz
Não gerei eu
O teu sorrir.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Fade

Quando o sol cair
Será que vão notar
Que eu parti
E por isso a noite
Está mais escura?
Quando a manhã chegar
E eu não estiver lá
Para acordar o mundo
Será que vão notar
Que eu fui embora
Com o pôr do sol.
Quando a sombra chegar
Será que vão dizer:
"Saudades de você."?
Ou vão encontrar
Alguém mais para amar
E me deixar seguir
Sem meu existir
Jamais?
Ai, ai, ai...
Sempre viajante
Sempre andante
O tempo me engole
Mas eu sempre fujo
Das minhas gaiolas
Eu sempre fujo
De todas as prisões
Fecho os olhos
E vou pro infinito
Voou pelos abismos
Quero ver coisas novas...
Pra sempre, sempre, sempre
Sempre livre.
Livre de toda dor
Livre de todo grilhão
Livre dos pecados
Livre de armadilhas
Livre de meus pés no chão.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Canoro

O tempo das asas dilaceradas
Foi-se, deixando lembranças
Num corte profundo que mal cicatrizou
O medo de um futuro inóspito
Me leva a lágrimas convulsas.
Se você estivesse aqui agora
O que diria para meu coração temeroso?
Por quanto tempo serei eu
A figura monstruosa
A amadurecer e apodrecer nesta árvore?
Fecho os olhos tristes e cheios de dor
O coração que bate acelerado
Fica perdido na solidão
Que o abraçava em tempos negros
Ele quer a ave canora
Que o encanta nos tempos de hoje
Ele anseia pelo bater de asas
Pelo calor suave de tuas penas.
Assim como eu, em minha fúria
Controlo os sonhos ruins
Mandados das trevas ocultas
Para meu tormento negro
E busco em teus braços redentores
A calma para a tristeza
Que às vezes me assola à noite.
Fecho os olhos por mais um segundo
Imagino anjos trazendo você.
A esperança de uma noite sem partidas
Me faz correr ante anúncios de fracassos
E derrubar paredes com a força divina
Como um vento que nunca pára
Sussurro canções de amor
Esperando que cheguem até você
E te façam perceber que sofro
Por não ter teus braços
Dante desse céu noturno.
E ao olhar para as estrelas
Tento novamente deixar minh'alma
Elevar-se diante do tempo
Para alcançá-la, cobri-la
Com meu manto de amor celestial.
Mas me vejo preso a este corpo insipido
Que me puxa novamente à terra
Sem te ver, verto-me em suspiros tristes
Contento-me com a esperança tola
De ouvir sua voz um pouco mais
Por um momento, por um segundo
Um suspiro, a me fazer adormecer...


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Percepção

Deu pra notar
Que as vezes eu acordo inseguro?
Que as vezes eu me sinto
Tão imperfeito
Que nem consigo
Acreditar em mim?
Sabe,
Às vezes tudo volta
De uma vez e me arrasta
Para épocas tristes.
Eu nunca saberei todas as verdades
Nunca saberei a sinceridade do mundo.
Eu sempre imaginei
Mil decepções
Certezas intrínsecas
Nesse coração
Mas hoje
Quanto mais forte eu me sinto
Maior a onda que me arrasta.
Deu pra notar,
Que às vezes eu acordo com medo?
Deu pra notar,
Que às vezes dói
Sem eu saber porquê?