O Rei Palhaço
Andava só.
A Bailarina, nem tanto
Ela em si, na multidão
Bela e doce
Ante os olhares
Poderia enfim
Escolher qualquer
Dentre os heróis
Para entregar
Teu coração dançante.
Mas, ah, o destino entranho
A fez ver
Pelo deserto de lágrimas tristes
A triste figura, cheia de feiura
Do Rei Palhaço
Que caminhava só
Contando piadas
Sob a luz da lua.
E ela o viu, e ele a viu
E sem saberem
O sorriso um do outro
O som de suas vozes felizes
Se ouviu.
E o Rei Palhaço
Tocou em sua mão
E ela, recusou-se a dizer "não"
Mesmo o coração dançante
Estando ferido e triste
Em meio à toda gente
Que com ela estava.
E onde se via feio
Este palhaço antigo, sengraceiro
Ela viu príncipe faceiro
E sem abusar da sorte
O Rei Palhaço
Tão desordeiro
Deu-lhe um beijo
Tímido, sem floreio
Um beijo assustado
Apaixonado, amedrontado
De quem só via
A rejeição dos tempos.
E sem delongas, lutou por ela
O Rei Palhaço.
Bailarina infante
Donzela esperante
Em tua torre de cristal
Onde bruxas de amores tristes
A mantinham cercada.
Carregando mil esperanças
Mil andanças, batalhas e piadas
Lutou por ela, com asas belas
De um sorriso colorido.
E, sem perceber, se deixaram
Se largaram
Nesse levar apaixonado.
E se amaram
Nas dificuldades
Na sinceridade
De quem tem medo
Do futuro
Mas sonha, mesmo assim.
E se casaram, ao fim
Perto da lua, ante as estrelas
Sobre a grama
Em um céu de brilhos
Ele em trajes
Bregas de amor
Ela guardada
Num guarda-chuva
Para o cabelo
Não se perder nunca.
E segurando
As metades
De seus corações partidos
Perceberam
Que eram um
Naquele céu
De vaga-lumes.
