O tempo das asas dilaceradas
Foi-se, deixando lembranças
Num corte profundo que mal cicatrizou
O medo de um futuro inóspito
Me leva a lágrimas convulsas.
Se você estivesse aqui agora
O que diria para meu coração temeroso?
Por quanto tempo serei eu
A figura monstruosa
A amadurecer e apodrecer nesta árvore?
Fecho os olhos tristes e cheios de dor
O coração que bate acelerado
Fica perdido na solidão
Que o abraçava em tempos negros
Ele quer a ave canora
Que o encanta nos tempos de hoje
Ele anseia pelo bater de asas
Pelo calor suave de tuas penas.
Assim como eu, em minha fúria
Controlo os sonhos ruins
Mandados das trevas ocultas
Para meu tormento negro
E busco em teus braços redentores
A calma para a tristeza
Que às vezes me assola à noite.
Fecho os olhos por mais um segundo
Imagino anjos trazendo você.
A esperança de uma noite sem partidas
Me faz correr ante anúncios de fracassos
E derrubar paredes com a força divina
Como um vento que nunca pára
Sussurro canções de amor
Esperando que cheguem até você
E te façam perceber que sofro
Por não ter teus braços
Dante desse céu noturno.
E ao olhar para as estrelas
Tento novamente deixar minh'alma
Elevar-se diante do tempo
Para alcançá-la, cobri-la
Com meu manto de amor celestial.
Mas me vejo preso a este corpo insipido
Que me puxa novamente à terra
Sem te ver, verto-me em suspiros tristes
Contento-me com a esperança tola
De ouvir sua voz um pouco mais
Por um momento, por um segundo
Um suspiro, a me fazer adormecer...
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