A verdade é que ainda não vivo em paz.
Pela primeira vez toco o chão
Pela primeira vez estou vivo, tão vivo.
Pela primeira vez me importo em morrer
Pela primeira vez tenho inimigos verdadeiros
Pela primeira vez meu coração bate tão forte
Que mal consigo me mover.
Por quê meu coração está desesperado?
Por quê acordo no meio da noite com estas palavras?
Quando o céu parecia explodir, tudo era fácil
Quando as batalhas eram solitárias
Eu podia suportar a dor de tudo.
Mas agora mal consigo dar um passo
Sem a tormenta desse novo sentimento
A esmagar meu coração vermelho
Meu coração que deixou de ser negro
Meu coração humano.
A verdade é que ainda não vivo em paz
A verdade é que a saudade me dilacera.
Se eu desejar estar em outro lugar,
Se eu desejar estar em outro tempo,
Será que meus sonhos me levarão a você?
Se eu sonhar mais e mais, Deus me permitirá voar?
Se minhas asas não pertencessem a outro mundo
Ao mundo dos mortos de onde vim
Eu poderia estar com você
Eu poderia abrir meu coração e gritar
Para esse céu cheio de trovões
Que este peregrino voltou para a cidade
Voltou para buscá-la e levá-la nos braços.
Esse peregrino renegado voltou
E não consegue mais lutar
Pois a saudade se tornou monstruosa
Pois a saudade me destrói um pouco mais.
E esse amor é desmedido e descabido
Maior que tudo e maior que o amor
O maior amor do mundo
Que me faz sonhar futuro
Que e faz querer você.
Eu voltei para buscar meu amor
Nessa cidade que prende meus sentimentos
Nessas trincheiras que aprisionam meu bem.
A saudade me fez voltar para ti
A saudade me faz sonhar sem fim
Com a paz eterna que só encontro nos minutos
Poucos em que adormeço
Nos teus braços ternos.
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