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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Auto retrato


Caí em abismos
De escuridão.
Toquei o solo
Ao som de um baque
De latão
E nem mais vi
A estrela e a lua
No meu coração.
Nem meu coração
Pude ver.
Dançando nas trevas
Tanto ódio, tanta dor. 
Vestido de negro
De olhos fechados
Sangrando sóis
Sangrando sóis 
Meu auto retrato 
É uma máscara negra
Que se colore aos poucos.
Meu auto retrato
Não tem um rosto
Apenas esperanças
Apenas medos.
Como a carcaça da ave
Como o abutre perdido.
Meu auto retrato
É como a asa do anjo
Tem a lua e a estrela
Marcada em lágrimas
Negras, coaguladas
Meu auto retrato
Tem cicatrizes
Tem esperanças
Tem o céu azul
E a noite que cai
Tem a branca paz
E a negra dor.
Tem o santo amor
E a fina dor
De um sol chorado
De uma fênix nascida.
Meu auto retrato vem marcado
Com as cinzas do tempo
Com o sopro do vento
O correr do rio
O assobio da folha.
Meu auto retrato
É cheio de meios
Tramas e confeitos
Refeitos, desfeitos
Contrafeitos sentimentos
Cheios de dor
Como um desenho
Mal pintado
Em giz de cera.

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