Você sabe que meu coração
É de porcelana
E foi quebrado
Dilacerado, destruído
Tantas e tantas vezes
Que em certos tempos
Penso, raciocino
Que já nasceu quebrado.
Mesmo assim
Como você me ama?
Como não desiste
De juntar os cacos
Complicados
Desse meu coração?
Nem belo é
Como xícara vagabunda.
Rachada, usada, consumida
Como me ama
Sendo eu tão confusa
Como tem paciência
De contar as lascas.
Nos dias tristes
Em que me sinto sozinha
Cuida tanto de mim
Diz tato que me ama
Não me deixa
Não me abandona
Nunca.
Deixa eu descansar
Por toda noite
No teu ombro.
Não perca a paciência
Com esse meu jeito
Sei que pareço fraca
Sei que pareço tola
Mas esta noite
Me faça dormir
Agarrada
Em teu ventre macio
Me faça dormir sossegada
Esta noite estou triste
Fechada.
Esta noite,
Dentre outras muitas
Me sinto acabada
Necessitada
Do carinho teu
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